Por Equipa Digisini · Design · 2026-05-18 · 11 min de leitura
TL;DR — Design de sinalização digital em 60 segundos
Cinco regras não negociáveis: (1) tipografia 1pt por metro de distância — TV 55" a 5m = 18pt mín; (2) máximo 3-4 elementos por slide; (3) texto branco em fundo escuro para legibilidade periférica; (4) JPG qualidade 80-90 para fotos em 1920×1080; (5) hierarquia visual clara (título dominante + visual central + CTA embaixo). Seguir estas 5 regras coloca o teu signage no top 20% de qualidade visual PME.
Por que o design condiciona tudo
Um ecrã com conteúdo mal desenhado não funciona, independentemente da qualidade do hardware. Um cliente que não consegue ler o que está no ecrã do sítio onde está é um cliente invisível. Três métricas de design impactam diretamente o engajamento:
- Legibilidade. O texto é lido da posição cliente mais distante? Senão, o que mostras é um borrão.
- Hierarquia. O olhar sabe onde pousar primeiro? Senão, a mensagem principal dilui-se.
- Coerência visual. Os teus slides parecem todos da mesma marca? Senão, o cérebro lê ruído.
Os espaços que aplicam princípios básicos de design veem +30-50 % de interação face aos que copiam e colam do telemóvel sem pensar.
Tipografia: a regra do 1pt por metro
| Tipo de ecrã | Distância leitura | Tamanho mínimo | Confortável |
| TV 32-43" balcão café | 1-2 m | 12pt | 16pt |
| TV 43-55" bar/entrada | 3-5 m | 18pt | 24pt |
| TV 55-65" sala espera | 5-7 m | 24pt | 32pt |
| TV 75"+ lobby/montra | 5-10 m | 36pt | 48pt |
| Vídeo-wall | 10-20 m | 60pt | 80pt+ |
Para títulos principais, adiciona 50% à tamanho para garantir legibilidade periférica. Para detalhes secundários, fica no mínimo sem descer.
Escolhe de fonte: sans serif (Arial, Roboto, Open Sans) para texto corrente. Serifs ficam ilegíveis abaixo de 16pt na TV. Evita fontes decorativas — reserva para logos.
Contrastes e cores
A legibilidade depende tanto do contraste quanto do tamanho. Três combinações vencedoras:
- Texto branco em fundo escuro (#FFFFFF em #1a1a1a). Ratio 15:1, mais legível de longe. Padrão para menus de bar.
- Texto escuro em fundo claro (#1a1a1a em #FFFFFF). Ratio inverso, confortável mas perde 30% de legibilidade periférica. Padrão para clínicas, boutiques.
- Texto laranja/amarelo em fundo escuro. Ratio 8-12:1, útil para CTAs e preços promovidos.
Combinações a evitar:
- Texto vermelho em fundo verde — ilegível para 8% (daltonismo).
- Texto amarelo em fundo branco — ratio sob 2:1.
- Texto cinza em fundo cinza — falta de contraste.
- Muitas cores vibrantes juntas — fadiga visual.
WCAG 2.1 AA: ratio 4.5:1 mínimo para texto normal, 3:1 para texto grande (24pt+).
Hierarquia visual
- Zona primária (60% da atenção): título/preço dominante. Maior tamanho, contraste máximo.
- Zona secundária (25%): foto ou visual principal que suporta o título.
- Zona terciária (10%): detalhes e precisões.
- Zona CTA (5%): call-to-action embaixo.
Máximo 3-4 zonas por slide. Além disso, o olho não sabe onde pousar.
Fotos: o que funciona
Foto profissional pode aumentar sell-through de prato em 30% vs foto amadora.
- Luz natural diurna. Perto de janela, sem flash direto.
- Ângulo levemente picado (15-30°). Vista meio-mesa.
- Enquadramento fechado. Sujeito preenche 70% do quadro.
- Cores vibrantes mas naturais. Saturação +10-15% máx.
- Formato final 1920×1080 mínimo, JPG qualidade 80-90.
Quando contratar fotógrafo: sessão 2-3 h, 15-25 pratos, 250-500 €. Investimento mais rentável do signage — payback em 4-8 semanas.
Vídeo: quando e como
- Loop curto (5-10 segundos). Acima de 15s, atenção solta.
- Sem áudio vital. Maioria das TVs em venue tocam mudas.
- Movimento sutil. Sem zooms agressivos.
- 1080p H.264. Formato universal.
- Máximo 30% da playlist.
Movimento e animação
- Uma animação por slide máximo.
- Movimento lento e contínuo. Pulsação 1 Hz, scroll 30px/s.
- Movimento periférico apenas. Não anime o título principal.
- Pausa de 3-5 segundos entre ciclos.
5 erros que matam o engajamento
- Muito texto numa slide. Olho não tem tempo de ler.
- Fotos baixa qualidade ou com flash. Reduz sell-through 30-50%.
- Tipografias decorativas. Script ilegível de longe.
- Cores vibrantes não contrastadas. Texto amarelo em fundo branco.
- Sem hierarquia. Tudo do mesmo tamanho.
Corrigir estes 5 erros melhora engajamento 40-60% (testes A/B 2025).
| Ferramenta | Preço | Para quem | Vantagem chave |
| Biblioteca templates Digisini | Incluído | Todos | 80+ templates por setor |
| Canva Free | 0€ | PME sem designer | Templates signage prontos |
| Canva Pro | ~12€/mês | Vários utilizadores | Banco de imagens + kit de marca |
| Figma Free | 0€ | Tech-friendly | Colaboração tempo real |
| Affinity Designer | 70€ único | Designer ocasional | Alternativa Adobe |
| Adobe Creative Cloud | 60€/mês | Designer profissional | Padrão indústria |
| Designer freelance | 200-500€/sessão | Grandes campanhas | Coerência branding |
Checklist design antes de publicar
- Legível da tua posição mais distante? Teste físico — senta na mesa mais longe.
- Máximo 3-4 zonas visuais?
- Hierarquia clara com elemento dominante?
- Ratio de contraste verificado? Pelo menos 4.5:1.
- Fotos alta resolução sem flash? 1920×1080 mín.
- JPG 80-90 para fotos / PNG para gráficos?
- Vídeo sem texto vital, loop 5-10s?
- Coerência visual com a tua marca?
O impulso de encher o ecrã
Sobra metade do ecrã
e a reação de toda a gente é pôr lá mais qualquer coisa
Parece lógico: o espaço está pago, aproveita-se. Só que aquilo que se paga não é o espaço, é a atenção de quem passa — e essa não aumenta por se acrescentar mais coisas. Divide-se.
O espaço à volta de uma frase faz três trabalhos que nenhum elemento adicional faz:
- Diz o que é importante. Uma frase sozinha ao centro é lida como a mensagem; a mesma frase rodeada de outras quatro é lida como uma delas. Não mudou o texto, mudou o que ele parece ser.
- Permite letra maior. É a consequência mais direta e a que decide se se lê da rua: menos elementos é literalmente mais tamanho para os que ficam.
- Sobrevive ao reflexo. Numa montra com brilho, o contraste perde-se nas zonas cheias e aguenta nas zonas limpas. É a diferença entre um ecrã que se lê a meio da tarde e um que não.
Há um sinal fácil de reconhecer para saber se já se passou do ponto: se tem de reduzir o corpo da letra para tudo caber, não é um problema de espaço — é um problema de decisão. Tirar um elemento resolve sempre; reduzir a letra nunca resolve, só adia até deixar de se ler.
E vale a pena dizer onde este princípio não se aplica, porque também há esse caso: num ecrã para quem está parado — uma sala de espera, uma fila — cabe mais e o vazio rende menos. A regra do espaço livre é da rua, onde há um segundo e meio, e não de dentro, onde há dez minutos.
Da próxima vez que sobrar metade do ecrã, deixa sobrar. Volta a olhar do outro lado da rua e compare com a versão cheia: quase sempre a versão com metade vazia é a que se consegue ler, e é a única diferença entre as duas.
O detalhe que só aparece depois de traduzir
Os acentos não cabem.
O modelo não está estragado — foi desenhado para uma língua que não os tem
Em inglês, uma maiúscula é uma forma fechada, sempre da mesma altura. Em português, por cima dela ainda vai um til, um acento ou uma cedilha por baixo. Quase todos os modelos gráficos que circulam vêm do inglês e trazem a entrelinha apertada até ao limite, porque nessa língua nada sobe acima da linha. Escreve-se «AÇÃO» nesse mesmo modelo e o til fica cortado a meio, ou desaparece por completo — e ninguém repara no computador, porque a pré-visualização é pequena e o olho preenche o que falta.
Na parede, a três metros, já não preenche nada. O que se vê é uma palavra com um borrão em cima, e o efeito não é apenas estético: transmite descuido no sítio onde o negócio está a tentar transmitir o contrário. A correção é aborrecida e demora um minuto — abrir a entrelinha do título e verificar a linha mais alta do texto, não a mais comprida. É o oposto do reflexo habitual, que é olhar para a frase que transborda à direita.
O segundo estrago é o das maiúsculas, e esse é escolhido de propósito. Escrever títulos todos em maiúsculas parece dar força, e em português tira duas coisas ao mesmo tempo: tira o desenho da palavra, aquilo que permite reconhecê-la sem a soletrar, e tira frequentemente os acentos, porque muita gente escreve maiúsculas sem eles por hábito de teclado. O resultado é um título mais difícil de ler exatamente onde há menos tempo para o ler — alguém a passar na rua, com dois segundos. Para um ecrã que se lê de longe, uma frase curta em caixa normal ganha quase sempre à mesma frase em maiúsculas.
Depois há as palavras compridas, que em português são muitas e chegam sempre ao pior sítio. «Estacionamento», «disponibilidade», «encerramento»: numa coluna estreita, um modelo inglês parte-as onde calha ou empurra-as para fora do bloco. Vale mais reescrever a frase do que lutar com o alinhamento. Se uma palavra não cabe, quase sempre existe outra que diz o mesmo e cabe — e essa é a decisão de design, não a escolha do tipo de letra.
E há um pormenor pequeno que denuncia logo um modelo importado: as horas. Um ecrã em Portugal que anuncia «9:30 AM» está a falar como um documento traduzido. Escreve-se «9h30», ou simplesmente «09:30», no relógio de vinte e quatro horas que toda a gente usa. É uma linha de nada e é o tipo de coisa que o cliente não consegue nomear, mas nota — da mesma forma que nota uma montra onde o preço está escrito como não se escreve aqui.
Nenhum destes quatro pontos exige gosto nem formação em design. São todos verificáveis: imprime-se o ecrã como está, afasta-se três metros e vê-se. O que os torna difíceis não é a dificuldade técnica, é que só aparecem depois da tradução — e a tradução costuma ser o último passo, feito à pressa, quando o modelo já foi dado por fechado.
Com toda a honestidade: nós não desenhamos por ti nem revemos os teus textos — o ecrã mostra o que tu carregas. O que te tiramos é o custo de corrigir: mudar uma entrelinha ou reescrever um título é uma alteração num sítio, visível em todos os ecrãs, em vez de uma reimpressão.
O conflito entre a identidade e a leitura
A cor da marca foi escolhida para papel.
Num ecrã iluminado perde contraste — e a solução não é mudar a marca
Um azul-claro corporativo, um cinzento elegante, um dourado: todos funcionam impressos, com tinta sobre branco e luz refletida. No ecrã a luz vem de trás, o branco é muito mais brilhante do que qualquer papel, e essas mesmas cores ficam a flutuar em cima do fundo em vez de assentar nele. A quatro metros o efeito é o de um texto desbotado — e a conclusão apressada, que se ouve em muitas reuniões, é que a identidade da casa «não funciona em digital».
Não é isso que se passa, e a distinção é a parte útil deste bloco. A identidade continua a funcionar exatamente onde deve: no logótipo, numa faixa, num fundo, num detalhe. O que não deve fazer é carregar o texto que se tem de ler de longe. São duas funções diferentes que se confundem porque no papel a mesma cor conseguia fazer as duas — e no ecrã não consegue, sem que isso diga nada de mau sobre a marca.
A regra prática é curta: o texto principal em preto ou branco, e a cor da casa a marcar quem fala. Uma barra superior com a cor, o logótipo no canto, um sublinhado, um fundo para um bloco secundário. Continua a ser reconhecível a três metros — que é o teste real de uma identidade — sem obrigar ninguém a decifrar um preço escrito num tom que a luz do ecrã come.
E há um caso em que vale a pena resistir à tentação mesmo quando fica bonito: o texto sobre um fundo com a cor da marca. Funciona bem em tons escuros e falha quase sempre nos claros, que são precisamente os que a maioria das marcas escolheu na última década. Se o fundo é claro, o texto tem de ser escuro; se o azul da casa é claro, o azul da casa não é fundo de texto. É uma decisão de dois minutos que ninguém volta a rever, e por isso convém tomá-la bem à primeira.
Com toda a honestidade: nós não redesenhamos nada e as cores da tua marca são tuas — o ecrã mostra o que carregas. Escrevemos isto porque é o ponto em que mais vezes vemos alguém concluir que o problema é o ecrã, quando o problema é estar a pedir a uma cor que faça um trabalho para o qual não foi escolhida.