Xibo, Anthias, Concerto, info-beamer, PiSignage, DigitalSignageOS e companhia são grátis.
O que custa é mantê-los vivos seis meses.
Mapa honesto do ecossistema com números reais, sem sermão e sem ataque.
Uma sexta-feira às 23h47
Sexta-feira, 23h47, tocou o telemóvel do único responsável técnico de um grupo de três cafeterias em São Paulo.
Era o gerente do turno da noite. "O ecrã do menu não funciona. Aparece um ecrã preto com letras vermelhas." O responsável abriu o notebook do sofá. SSH no VPS. docker logs xibo-cms. Um stack trace longo apontando para uma atualização de PHP de dois meses atrás que tinha quebrado um módulo de dayparting. Ele não tocava na instância desde março. Funcionou até que um cron de manutenção do provedor de hosting disparou um reboot e o container subiu com uma imagem mais nova.
Levou três horas para restaurar o dump do banco, fazer downgrade do container para versão anterior e confirmar que as playlists do fim de semana voltavam. Às 3h10 estava tudo certo. Sábado de manhã a cafeteria abriu com o menu no ecrã. Ninguém percebeu.
Na segunda, numa conversa com a chefe, ele fez a conta. Era a terceira vez em seis meses. Somou as horas: 28 horas do tempo dele no ano, sem contar o estresse. Fez outra conta: quanto custaria assinar qualquer alternativa cloud, em reais e em euros, comparado com o tempo dele. Pela primeira vez a calculadora deu a favor do cloud. Ele vinha se convencendo havia dois anos de que Xibo era "grátis".
Se tu estás a ler isso, provavelmente já teve tua própria sexta às 23h47. Ou ainda não, mas já sente que vem. Vamos fazer a conta inteira, sem sermão.
Onde ir neste artigo
Esse post cobre o ecossistema todo. para ti ir direto ao que importa:
- Está a pesquisar e nunca instalou nada open source → comece por "Mapa do ecossistema 2026" e siga com "Quando open source É a resposta certa".
- Já tem algo em produção e dói → pule para "O que dói no sexto mês" e "Migrar para SaaS sem perder o que funciona".
- Já decidiu migrar → vai direto para o "Checklist de auditoria" no final, e baixa a calculadora TCO que linkamos lá embaixo.
Zero clickbait. Zero "os grandes mentem para ti". Só números e experiência de campo.
Mapa do ecossistema digital signage open source 2026
Antes de comparar, uma limpeza: nem tudo que se vende como "alternativa open source ao Xibo" é open source de verdade. Vamos separar.
Os que são open source de verdade
1. Xibo
Stack: PHP + MySQL/MariaDB + Docker. O CMS e o player (Windows/Android/Linux/webOS) são AGPL desde a v2.x.
Quando brilha: instalações médias (20–200 ecrãs) com sysadmin que já falava PHP. É maduro, tem módulos, dayparting nativo, multi-utilizador com permissões finas.
Quando dói: atualizações maiores quebram migrações de banco se tu pulas mais de duas versões; o módulo de stats consome muito I/O; manter o player no Android TV com o Google bloqueando APKs cada vez mais.
Quem escolheu bem: museus, universidades, redes com equipa de TI própria.
Quem se arrependeu: PMEs de 2–5 ecrãs sem sysadmin dedicado.
2. Anthias (antes Screenly OSE / Screenly OSS)
Stack: Python + SQLite + um player único baseado em Chromium. Pensado para Raspberry Pi.
Quando brilha: um ecrã, uma Raspberry Pi, uma imagem ou um slide. Setup em 20 minutos.
Quando dói: um ecrã por Pi, sem gestão multi-ecrã séria; o desenvolvimento ativo agora está concentrado na versão SaaS comercial (Screenly); a comunidade open source recebe patches no conta-gotas.
Atenção: em 2023 a Screenly Inc. renomeou a versão open source como Anthias. O que tu ainda vês na internet como "Screenly OSS" hoje é Anthias.
Quem escolheu bem: academias pequenas com um ecrã no lobby, escritórios com um ecrã de avisos.
Quem se arrependeu: qualquer um que esperava programação por horários decente ou multi-ecrã.
3. Concerto
Stack: Ruby on Rails + PostgreSQL. Licença Apache 2.0.
Quando brilha: nasceu no Rensselaer Polytechnic Institute — escolha histórica de universidades americanas. Desenhado para campus com muitos ecrãs e colaboração entre departamentos.
Quando dói: comunidade pequena, roadmap devagar, frontend com cara de cinco anos atrás, tu tens que se sentir confortável em Rails para não pedir ajuda em cada patch.
Quem escolheu bem: universidades públicas, câmaras municipais com departamento técnico, ONGs grandes.
Quem se arrependeu: comércios e lojas que não têm dev na folha.
4. info-beamer
Stack: Lua + um runtime próprio escrito em C. Pensado nativo para Raspberry Pi (versão hosted comercial também existe).
Quando brilha: é o mais rápido do mercado para ecrãs com gráficos pesados, vídeo 4K, transições complexas. Usado por agências criativas e eventos.
Quando dói: programar layouts é codar Lua. Não tem editor visual decente na versão grátis auto-hospedada.
Quem escolheu bem: agências criativas, eventos, instalações artísticas.
Quem se arrependeu: qualquer um que esperava "subo uma foto pelo telemóvel e aparece no ecrã".
5. PiSignage Community Edition
Stack: Node.js + Raspberry Pi + um cliente Android. Modelo misto: uma edição Community open source e uma hosted comercial.
Quando brilha: se o hardware é várias Raspberry Pi e tu queres orquestração multi-ecrã básica e playlists com drag-and-drop mais simples que Xibo.
Quando dói: a Community vem atrás da comercial; o suporte open source é "abre uma issue e reza".
Quem escolheu bem: redes pequenas de lojas com técnico interno.
Quem se arrependeu: lojas sem técnico, porque a Community precisa de manutenção do lado da Pi (cartão SD que corrompe, OS que desatualiza).
6. DigitalSignageOS
Stack: distribuição Linux leve desenhada só para mostrar conteúdo. Mais player/SO do que CMS completo.
Quando brilha: quando tu já tens um CMS e quer um SO blindado no dispositivo, em quiosques.
Quando dói: tu precisas do CMS por fora. É meia solução.
Quem escolheu bem: integradores que colocam mini-PCs próprios em clientes.
Quem se arrependeu: ninguém que viesse procurando "uma plataforma completa".
7. DIY puro: Raspberry Pi + mpv + cron
Stack: o que tu quiseres. Uma Raspberry Pi, um player de vídeo, um cron que troca o ficheiro a cada hora, uma pasta compartilhada por Samba.
Quando brilha: um ecrã, conteúdo fixo, controle total da stack, orçamento zero além do hardware.
Quando dói: qualquer mudança de programação implica SSH. Esquece dayparting decente, multi-ecrã, templates, analytics.
Quem escolheu bem: makers, hackerspaces, oficinas com um cartaz do horário.
Quem se arrependeu: o primeiro dono de tasca que pensou que ia ser igual Netflix.
Os que se vendem como open source mas não são
Yodeck não é open source. É um SaaS comercial focado em Raspberry Pi com plano grátis até certo número de ecrãs.
ScreenCloud, OptiSigns, NoviSign, Rise Vision, Mediasignage, OnSign TV são SaaS comerciais. Alguns têm freemium, outros têm trial. Nenhum é open source.
Screenly (sem "OSS") é a versão comercial atual. A versão open source virou Anthias e vive separada.
O custo real do "grátis"
Aqui é onde a maioria das comparações erra. Falam de licença e esquecem do resto. Vamos colocar números em três tamanhos de negócio, com Xibo self-hosted em um VPS pequeno, horizonte três anos. Sysadmin externo a 35€/h; dono a 25€/h (seu próprio tempo).
Caso A: cafeteria com 2 ecrãs
| Item | Horas/ano | €/ano |
|---|---|---|
| VPS Hetzner CX22 ou equivalente | — | 100€ |
| Domínio + SSL | — | 15€ |
| Backups externos | — | 36€ |
| Sysadmin: atualizações maiores Xibo (3 ao ano) | 9 | 315€ |
| Sysadmin: incidentes e patches (4–5 ao ano, 2h cada) | 9 | 315€ |
| Dono: downtime, formação, "não funciona, João" | 25 | 625€ |
| Total Xibo self-hosted (ano) | 43 h | ~1.406€ |
| Total Xibo self-hosted (3 anos) | 129 h | ~4.218€ |
Mesmo caso em Digisini Pro (3 ecrãs, sobra uma para crescer): Pro anual = 190€/ano × 3 anos = 570€. Sem horas. Sem downtime seu. Com suporte por email. Diferença: ~3.600€ e 129 horas em três anos, para uma cafeteria com dois ecrãs.
Caso B: rede pequena, 5 ecrãs
| Item | Horas/ano | €/ano |
|---|---|---|
| VPS maior (CX32 ou dois nós) | — | 220€ |
| Backups + monitoring | — | 80€ |
| Sysadmin: atualizações + patches | 18 | 630€ |
| Sysadmin: incidentes (escalam com ecrãs) | 20 | 700€ |
| Tempo do responsável interno | 40 | 1.000€ |
| Total Xibo self-hosted (ano) | 78 h | ~2.630€ |
| Total Xibo self-hosted (3 anos) | 234 h | ~7.890€ |
Mesmo caso em Digisini Business (10 ecrãs, 5 sobram): Business anual = 590€/ano × 3 anos = 1.770€. Diferença: ~6.100€ e 234 horas de três pessoas em três anos.
Caso C: rede média, 30 ecrãs multi-loja
| Item | €/ano |
|---|---|
| Infraestrutura redundante (2 VPS + balanceador) | 720€ |
| Backups offsite, monitoring, alertas | 240€ |
| Sysadmin parcial dedicado (15% de um salário) | 7.000€ |
| Hardware player multi-loja + reposição | 1.500€ |
| Total Xibo self-hosted (ano) | ~9.460€ |
Mesmo caso em Digisini Network (50 ecrãs, sobram 20): Network anual = 1.990€/ano × 3 anos = 5.970€. A diferença bruta é ~7.470€/ano a favor do cloud. Quando tu chegas a 80–100+ ecrãs com sysadmin de folha completo, sim, self-hosted começa a empatar. Mas tu já não és uma PME.
Quando open source É a resposta certa
Nem sempre o cloud ganha. Te desenho os cinco perfis onde ficar (ou entrar) em open source self-hosted faz sentido:
1. Sysadmin de folha + 30–50 ecrãs
O custo do sysadmin já está pago por outras coisas. O signage é mais uma. A liberdade de modificar o código é real, não decorativa.
2. Soberania de dados não negociável
Banco, defesa regulada, saúde com dados em países específicos, departamentos públicos com requisito de "o dado não sai daqui".
3. Tu precisas estender o código
Integração exótica com SAP, leitores RFID em quiosques, sincronizar com a rádio interna do shopping. Aí abrir um fork é razoável.
4. Agência ou integrador
Vende pros clientes uma solução "sua marca" onde Xibo ou info-beamer está embaixo. Leva manutenção a sério porque é seu negócio.
5. Maker — o aprendizado é o prêmio
Uma Raspberry Pi e Anthias em casa ou na oficina. É divertido. Não estamos aqui para julgar diversão.
Se tu se reconheces em um dos cinco, esse post pode não ser para ti. Se não se reconhece em nenhum, é muito provável que o TCO esteja te cobrando sem ti notar.
O que dói no sexto mês de Xibo (e de quase qualquer self-hosted)
- As atualizações quebram coisas. Xibo 4 mudou tanta coisa por dentro que migrar do 3.x exigiu ler o changelog duas vezes. Tu acabas travado em uma versão velha com medo de quebrar na sexta.
- Dayparting é frágil. No Xibo funciona, mas quando tu tens dois fusos, cinco eventos especiais no ano e um gerente que quer "o menu de jantar sair às 19:30 nas sextas e 20:00 nos sábados", o editor pesa.
- Suporte = StackOverflow + Discord + sorte. Quando algo quebra às 21h, tu abres o navegador e começa a buscar. A comunidade ajuda, mas não é o mesmo que ter alguém que tu pagas e que se importa com o teu problema.
- Multi-loja é pesadelo operacional. Cinco lojas, cada uma com VPN ou IP fixo. Qualquer SaaS resolve isso em uma semana de uso. Self-hosted te obriga a montar.
- Nenhum template vertical decente. Xibo entrega layouts vazios. Se quer um menu de cafeteria, tu fazes. Se quer um cartaz de academia com horário de aulas, tu fazes.
- Nenhum módulo de alérgenos, gestão de senhas, promoções automáticas. Tudo que a regulamentação ou teu vertical exige, tu constróis.
- Hardware do player. Android TV com restrições crescentes de APKs, Windows que derruba o modo quiosque nas atualizações, cartão SD da Raspberry Pi que corrompe a cada ano e meio.
Nenhuma dessas sete dores é exclusiva do Xibo. São intrínsecas ao modelo "monto eu".
Migrar para SaaS sem perder o que funciona: checklist de auditoria
Se decide ir para o cloud, não saia correndo. Audite o que tem primeiro:
Inventário de conteúdo
- Lista de playlists ativas e onde aparecem
- Calendário de eventos especiais (Carnaval, Dia das Mães, Réveillon, Black Friday)
- Pasta de mídia organizada por vertical e por data de validade
- Que conteúdo tem que cumprir norma (alérgenos, +18, avisos legais)
Inventário operacional
- Quantos ecrãs ativos tu tens, onde, que modelo de TV/player
- Quem troca o conteúdo no dia a dia (o dono, o gerente, marketing externo)
- Quantas horas essa pessoa dedica ao mês, somadas às suas
- Quantos incidentes técnicos teve nos últimos 6 meses
- Que hardware quer reusar (as Smart TVs já são suas aliadas, as Raspberry Pis talvez não)
Exportar do Xibo
- Descarregar a mídia (toda
/var/www/.../library/) - Exportar as playlists (Xibo permite exportar layouts em formato
.zip) - Capturar prints do calendário atual antes de desligar
- Lista de utilizadores e seus acessos
Com essa auditoria feita, dar entrada em um SaaS leva entre 30 minutos e duas tardes. A parte longa era saber o que tu tinhas.
Por que Digisini se posiciona nessa conversa
Sem atacar ninguém, te conto sobre o que é Digisini e para quem encaixa. Se a resposta for "não é para mim", te digo claro.
Plano Free real, sem prazo. 1 ecrã, playlists ilimitadas, suporte por email. Tem marca d'água no canto. É a forma mais fácil de testar com um mês inteiro da sua cafeteria antes de pagar nada.
14 dias de teste sem cartão em todos os planos pagos. Se quer Pro ou Business com todas as funções para avaliar a sério, ativa sem cartão. No dia 15 tu decides.
Preço desenhado para PME, não para enterprise. Starter 9€/mês, Pro 19€/mês (3 ecrãs, o mais vendido), Business 59€/mês (10 ecrãs), Network 199€/mês (50 ecrãs). Sem fidelidade. LGPD compliant. Comparado com o TCO real de manter Xibo que vimos acima, os números não são discutíveis.
Suporte humano em português e espanhol. Quando algo quebra, tem alguém do outro lado que responde em português de gente de verdade. Não é um chatbot que te pede para preencher um formulário. A diferença com "abre uma issue no GitHub" tu sentes na primeira vez.
Templates verticais prontos. 37 verticais pensados especificamente: cafeteria, academia, odonto, autoescola, farmácia, pizzaria, hostel, B&B, camping, contabilidade, advocacia, oficina, ótica, funerária, painel de senhas. sem ti precisar reinventar o layout cada vez.
Funciona na TV que tu já tens. Smart TV com navegador, Chromecast (~150 R$ ou 30€) ou Fire Stick (~30€). Zero compra de hardware proprietário. Zero instaladores.
Migração assistida — sim e não, te conto honesto. Damos um guia passo a passo para exportar do Xibo e montar a mesma estrutura na Digisini, com suporte humano 1:1 durante a migração por email ou WhatsApp. O que não dizemos é "manda seu VPS para gente que a gente migra" porque hoje não conseguimos garantir esse serviço para todos que pediriam.
Dois casos honestos lado a lado
Caso 1: quando Xibo ganha
Uma agência digital de Belo Horizonte com quatro clientes corporativos grandes (banco, retalho multi-loja, universidade privada, empresa de eventos). 280 ecrãs no total. Três devs na folha. Estão há cinco anos com Xibo, escreveram três módulos próprios (integração com sistema de senhas do banco, calendário acadêmico da universidade, sincronização com o data warehouse do retalhista).
Para eles, Xibo é a ferramenta certa. O controle do código permite vender contratos de manutenção, os módulos próprios são o diferencial vs outras agências. Se nos perguntam, dizemos: continuem com Xibo.
Caso 2: quando Digisini ganha
Uma franquia pequena de hamburguerias no interior de São Paulo. Doze lojas, um ecrã em cada balcão para o menu do dia e os alérgenos, um ecrã maior no salão para promos e eventos. O dono tinha um primo que entendia de TI e instalou Xibo num VPS há dois anos. O primo foi morar fora há sete meses. Desde então, cada atualização é um drama porque ninguém quer mexer, os alérgenos são atualizados na mão loja por loja com pendrive, e a última vez que um menu ficou desatualizado nas redes sociais gerou um comentário negativo viral.
No dia que migram para o Pro ou Business, o dono troca o menu do dia pelo telemóvel cada noite, os alérgenos viajam pras 12 ecrãs ao mesmo tempo, e o cartaz de promo do Dia dos Namorados é programado pela sobrinha que estuda marketing em Curitiba. Ninguém da loja toca em pendrive nunca mais.
Seu próximo passo (sem pressão)
Se chegou até aqui, uma dessas três te encaixa:
Quer dados antes de falar
Baixa a Calculadora TCO Digital Signage Open Source vs SaaS. Excel com seus números reais (ecrãs, salários, horas), te dá o custo de três anos em cada modelo.
Descarregar calculadora + guia PDF →
Prefere testar antes
Cria conta no plano Free da Digisini. Um ecrã, marca d'água, 5 minutos de instalação. Se gostar, em qualquer momento sobe para o Starter (9€/mês) e a marca d'água some.
Começar grátis →
Quer falar com uma pessoa
Contacto por email para [email protected], responde uma pessoa em português ou espanhol em horário comercial. Te respondemos o que encaixaria no seu caso e, se a resposta honesta for "fica com Xibo", te dizemos.