Sinalização digital
em Faro
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Não é preciso escolher a língua
quando se pode escolher a hora
Em Faro a discussão sobre pôr a montra em português ou em inglês costuma acabar nas duas ao mesmo tempo, com metade do espaço para cada uma. É a pior das soluções, e é evitável: quem não fala português não chega a qualquer hora, chega a horas publicadas com meses de antecedência.
Um ecrã bilingue permanente tem dois defeitos que se somam. Ocupa metade do espaço com texto que a pessoa à frente não está a ler, e obriga a letra mais pequena para caber o dobro — precisamente quando se lê de longe e de passagem. Programar por horas resolve os dois de uma vez:
- As chegadas são um horário, não uma estimativa. Publicado, estável durante toda a estação, e repetido nos mesmos dias da semana. É a informação de calendário mais fiável que um comerciante pode ter, e está à distância de uma consulta.
- Uma língua de cada vez cabe em letra grande. A mesma montra que em bilingue mostra seis linhas ilegíveis mostra três frases que se leem do outro lado da rua.
- Fora dessas franjas a cidade é portuguesa. Faro não vive só de quem passa: tem serviços, escolas e clientes que vêm sempre. Escrever para eles em inglês metade do dia é falar mal com quem volta.
Há uma diferença de conteúdo, e não só de língua, que separa os dois públicos. A quem chega de fora interessa-lhe o básico e interessa-lhe já: se abre agora, se aceita cartão, quanto custa uma coisa simples, onde é a entrada. A quem é daqui isso é ruído — o que faz essa pessoa entrar é o que mudou desde a semana passada. São conteúdos diferentes, não traduções um do outro, e é aí que a maioria das montras bilingues falha: traduzem a mesma mensagem em vez de mudar de mensagem.
Uma nota prática sobre a estação. Entre novembro e março o movimento de fora reduz-se muito, e a tentação é desligar o ecrã. Vale mais mantê-lo com o conteúdo de residentes: é a altura do ano em que a clientela local pesa quase tudo na faturação, e uma montra apagada em janeiro lê-se, da rua, como uma loja que fechou.
Se só for programar uma coisa este ano, programa as duas franjas de chegadas com maior movimento e deixa o resto do dia em português. São dez minutos de configuração e é o único ajuste que faz caber texto legível numa montra que até aqui tinha o dobro do texto e metade dos leitores.
Muitos estabelecimentos fecham no inverno
e passam quatro meses com uma montra apagada a dizer a coisa errada
Quando um negócio é sazonal, a decisão de fechar está tomada e é boa. O que quase nunca se decide é o que a fachada faz durante esses meses — e por omissão faz o pior possível: parece que fechou para sempre, precisamente à frente das pessoas que vivem lá o ano inteiro.
O que se perde ao deixar tudo apagado:
- A data de reabertura. É a única coisa que toda a gente quer saber, e não está escrita em lado nenhum. Quem passa em fevereiro e não a vê deixa de passar em março.
- A diferença entre fechado e encerrado. Numa rua onde vários fecharam de vez, uma montra escura é indistinguível de um negócio que acabou — e isso corre pela zona.
- E o contacto para o resto do ano. Encomendas, reservas antecipadas, eventos privados: coisas que se vendem no inverno se houver como perguntar.
A solução é do tamanho do problema e não custa: uma única mensagem estática, deixada a funcionar. Data de reabertura, uma forma de contacto, e nada mais. É o conteúdo que menos trabalho dá do ano inteiro e o que evita começar a época seguinte a explicar que não se tinha fechado.
Há um detalhe prático em que este caso se distingue de qualquer outro: ninguém vai lá para mudar nada durante meses. O conteúdo tem de ser verdadeiro sem tocar-lhe — o que exclui qualquer coisa com uma data próxima, uma promoção ou um preço, e deixa exactamente as três linhas de cima.
Antes de fechar a época, deixa escrita a data de reabertura na montra. É a única frase do ano que trabalha sozinha durante quatro meses e a que mais gente vai ler sem que estejas lá.
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frequentes
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